O BYD Tan tem um lugar especial na história da marca chinesa no Brasil: foi o primeiro carro de passeio 100% elétrico vendido por aqui, em 2022, dando início ao que a própria BYD chama de "dinastia" no mercado brasileiro — ao lado do sedã Han. É um SUV grande, de sete lugares, tração integral e proposta de luxo, hoje na casa dos R$ 426 mil.
De onde vem o nome
O Tan é batizado em homenagem à dinastia Tang (618-906 d.C.), um dos períodos mais importantes da história chinesa — a mesma linha de nomes dinásticos que a BYD usa em outros modelos, como o Han e o Song. No Brasil, o "g" final foi retirado do nome porque sua pronúncia é muda em mandarim, e não por qualquer questão de marca registrada.
Preço do BYD Tan no Brasil
O Tan chegou ao mercado nacional em março de 2022 por R$ 487.590, importado de Shenzhen, na China, em versão única, com tração integral e presente de um carregador Wallbox de 7,2 kW para os primeiros compradores. Pela Tabela FIPE, o valor de referência de um zero-quilômetro caiu para R$ 426.089 em agosto de 2026 — uma queda acumulada de 12,47% em doze meses, reflexo de um modelo de baixo volume e já com alguns anos de mercado.
Ficha técnica completa (versão atual, com bateria de 108,8 kWh)
| Item | Especificação |
|---|---|
| Motor | Dois motores elétricos (AWD): 245 cv no eixo dianteiro + 272 cv no traseiro |
| Potência combinada | 517 cv |
| Torque combinado | 700 Nm (versão de lançamento tinha 680 Nm) |
| Bateria | Blade LFP (lítio-ferro-fosfato), 108,8 kWh (versão de lançamento tinha 86,4 kWh) |
| Aceleração 0-100 km/h | 4,9 segundos (versão de lançamento fazia 4,6 s, com bateria menor e mais leve) |
| Velocidade máxima | 190 km/h (limitada eletronicamente) |
| Autonomia (PBEV/Inmetro) | 430 km |
| Autonomia (ciclo WLTP) | 530 km |
| Recarga AC | até 11 kW |
| Recarga DC | até 170 kW — 30% a 80% em cerca de 30 min |
| Função V2L | Sim (usa o carro como "poder bank" para dispositivos externos) |
| Dimensões (C x L x A) | 4.970 mm x 1.960 mm x 1.750 mm |
| Entre-eixos | 2.820 mm |
| Peso em ordem de marcha | 2.621 kg |
| Porta-malas | 235 L (7 lugares) / 940 L (5 lugares) / 1.655 L (banco rebatido) |
| Rodas / pneus | Aro 22, pneus 265/40 R22 |
| Suspensão | Dianteira McPherson / traseira multilink — ambas com sistema adaptativo DiSus-C |
| Freios | Discos ventilados nas quatro rodas (Brembo na versão testada em pista) |
| Garantia | 5 anos ou 500.000 km no veículo, 8 anos sem limite de km na bateria |
Design e itens de série
O interior do Tan mistura Alcantara, aço escovado e acabamento piano black, com bancos dianteiros em couro, aquecidos e ventilados, com ajuste elétrico em 8 posições (motorista) e 4 posições (passageiro), mais ajuste lombar. A segunda fileira acomoda três adultos com folga; a terceira, voltada a crianças, é mais apertada — mas conta com teto solar panorâmico para aliviar a sensação de claustrofobia. Entre os destaques de tecnologia estão a central multimídia giratória de 15,6", painel digital de 12,3", som Dynaudio com 12 alto-falantes e 775 W, carregador de celular por indução, Apple CarPlay e Android Auto, tampa do porta-malas motorizada com abertura por sensor de pé (hands-free) e função "follow me home" nos faróis de LED. Na segurança, o Tan traz 7 airbags e um pacote de assistência à condução.

Prós do BYD Tan
- Espaço e conforto: cabine espaçosa, bancos generosos e acabamento que impressiona até quem já teve carro de marca alemã premium
- Desempenho forte e silencioso: 517 cv, tração integral e 0-100 km/h em menos de 5 segundos, mesmo pesando mais de 2,6 toneladas
- Autonomia competitiva: 430 km no PBEV e até 530 km no WLTP, entre os maiores alcances de SUV elétrico grande no Brasil
- Recarga rápida: até 170 kW em corrente contínua, de 30% a 80% em cerca de 30 minutos
- Bateria Blade: tecnologia LFP reconhecida pela segurança contra incêndio e explosão
- Sete lugares reais: opção rara entre SUVs 100% elétricos vendidos no país
- Comportamento fora do asfalto: suspensão adaptativa absorve bem irregularidades e sobe trechos de terra com tração exemplar, segundo teste de pista
- Garantia longa: 5 anos/500 mil km no carro e 8 anos sem limite de km na bateria
Contras do BYD Tan
- Preço elevado: na casa dos R$ 426 mil a R$ 490 mil, é o item de entrada mais caro para quem quer elétrico de 7 lugares da BYD
- Tela giratória pouco funcional: a multimídia de 15,6" gira por botões, mas testes apontam vantagem prática quase nula, resolução mediana e Android Auto/CarPlay com imagens desproporcionais na tela grande
- Frenagem regenerativa fraca: não há modo "um pedal", recurso já comum em rivais elétricos
- Assistente de direção impreciso em alta velocidade: em teste de pista, o sistema semiautônomo assustou por movimentos bruscos no volante em rodovia
- Terceira fileira apertada: os dois lugares extras servem melhor para crianças do que para adultos
- Recarga AC lenta: mesmo em wallbox, uma carga completa pode levar até 15 horas
- Autonomia real abaixo da tabela: testes de estrada registraram algo entre 340 km e 350 km reais, distante dos 430-530 km anunciados
- Dependência de infraestrutura: carregadores rápidos de alta potência (acima de 100 kW) ainda são escassos fora dos grandes centros
Concorrentes
Entre os elétricos, o Tan mira rivais como Audi e-tron, Volvo XC90 (em sua versão eletrificada), Jaguar I-Pace e BMW iX. Como SUV grande de sete lugares, também concorre indiretamente com nomes a combustão como Toyota SW4 e Jeep Commander, e com o híbrido Porsche Cayenne — todos mais consolidados no mercado brasileiro, mas sem a proposta 100% elétrica do chinês.
O que vem por aí: nova geração do Tang
A BYD já apresentou na China a terceira geração do Tang (nome internacional do Tan), maior — 5,045 m de comprimento e 2,95 m de entre-eixos — mas que abandona a configuração de sete lugares em favor de cinco. A nova bateria Blade de segunda geração promete entre 730 km e 850 km de autonomia no ciclo chinês CLTC, com recarga ultrarrápida ("Flash Charging") de 10% a 70% em cerca de cinco minutos, além do sistema de condução assistida com LiDAR God's Eye B. O lançamento na China está previsto para o quarto trimestre de 2026, mas a BYD ainda não confirmou se e quando esse novo Tan chega ao Brasil — por ora, é apenas expectativa de mercado.
Vale a pena comprar o BYD Tan?
O Tan entrega o que promete como SUV grande: espaço, conforto, potência e uma autonomia respeitável para a categoria, com o selo de segurança da bateria Blade. É uma escolha sólida para quem precisa de sete lugares reais e quer fugir do motor a combustão sem abrir mão de porte e presença. Os pontos de atenção ficam por conta do preço alto, de detalhes de acabamento tecnológico que prometem mais do que entregam (como a tela giratória) e de uma autonomia real um degrau abaixo da anunciada — o que pede planejamento de recarga em viagens mais longas.